A DTM não tem uma causa única — é uma condição multifatorial com causas físicas, psicológicas e sociais que interagem de forma complexa. O modelo mais aceito atualmente é o modelo biopsicossocial, que reconhece que fatores biológicos, psicológicos e sociais contribuem simultaneamente para o desenvolvimento e a manutenção da DTM.
Fatores de Risco Identificados pelo Estudo OPPERA
O estudo OPPERA (Orofacial Pain: Prospective Evaluation and Risk Assessment) é o maior estudo prospectivo sobre DTM já realizado, com 3.263 participantes acompanhados por 2,8 anos. Identificou os principais fatores de risco: sensibilização central (odds ratio 3,2); estresse psicológico (OR 2,5); sexo feminino (OR 2,1); dor em outras regiões do corpo (OR 2,0); e qualidade do sono ruim (OR 1,8).
Bruxismo: O Fator de Risco Mais Modificável
O bruxismo — apertar e ranger os dentes — é o fator de risco mais modificável para DTM. Sobrecarrega os músculos da mastigação e a ATM com forças que podem ser 6 a 10 vezes maiores do que as forças mastigatórias normais. O bruxismo noturno é especialmente prejudicial porque ocorre de forma inconsciente e pode durar horas.
Trauma: Causa Direta
Traumas diretos na mandíbula ou na ATM — por acidentes automobilísticos (lesão por chicote cervical), quedas, golpes ou procedimentos odontológicos prolongados — podem causar DTM de início agudo. O trauma causa inflamação articular, lesão do disco e espasmo muscular reflexo.
Fatores Hormonais: Por que a DTM é Mais Comum em Mulheres
A DTM é 2 a 3 vezes mais prevalente em mulheres, especialmente em idade reprodutiva. Receptores de estrogênio foram identificados nos tecidos da ATM, e flutuações hormonais (ciclo menstrual, gravidez, menopausa) influenciam a inflamação articular e a percepção da dor.
Referências Científicas
Slade GD, et al. Summary of findings from the OPPERA prospective cohort study. J Pain. 2013;14(12):T102-T115.