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Bruxismo e Desgaste Dental: Consequências e Como Prevenir

📅 7 de junho de 2026✍️ Dra. Carolina Nunes Santos Barbosa🕐 8 min de leitura

O desgaste dental é a consequência mais visível e mais documentada do bruxismo. Pacientes com bruxismo grave podem perder 1 a 2 mm de estrutura dental por ano — uma taxa de desgaste 10 a 15 vezes superior à do desgaste fisiológico normal. Ao longo de anos sem tratamento, o resultado é dentes curtos, sensíveis, fraturados e esteticamente comprometidos.

Como o Bruxismo Destrói os Dentes

Durante o bruxismo, as forças exercidas sobre os dentes podem atingir 400 a 900 N — comparado às forças mastigatórias normais de 70 a 150 N. Essas forças excessivas, aplicadas de forma repetitiva e prolongada, causam desgaste abrasivo das superfícies oclusais e incisais dos dentes. O esmalte dental — a estrutura mais dura do corpo humano — não consegue resistir a essas forças crônicas e progressivamente se desgasta, expondo a dentina subjacente.

A exposição da dentina resulta em hipersensibilidade dental (dor ao consumir alimentos quentes, frios, doces ou ácidos) e em maior vulnerabilidade a cáries e fraturas. Em casos avançados, o desgaste pode atingir a câmara pulpar, necessitando de tratamento endodôntico (canal).

Consequências Estéticas e Funcionais

Do ponto de vista estético, o desgaste dental pelo bruxismo resulta em dentes mais curtos, com bordas irregulares e coloração amarelada (pela exposição da dentina). O sorriso perde a harmonia e o paciente pode sentir vergonha ao sorrir. Do ponto de vista funcional, a perda de estrutura dental altera a mordida, podendo agravar a DTM e dificultar a mastigação.

Prevenção e Tratamento do Desgaste

A placa interoclusal rígida é o principal meio de prevenção do desgaste dental pelo bruxismo. A placa absorve as forças do bruxismo, protegendo os dentes. É fundamental iniciar o uso da placa o mais precocemente possível — o desgaste dental é irreversível sem restaurações. Desgastes já existentes podem ser tratados com resinas compostas, facetas de porcelana ou coroas, dependendo da extensão do dano.

Referências Científicas

Lobbezoo F, et al. Bruxism defined and graded. J Oral Rehabil. 2013;40(1):2-4. | Manfredini D, et al. Dental wear is associated with frequency of reported bruxism in children. J Oral Rehabil. 2015;42(4):251-258.